O Véu da Fantasia (J. G. de Araújo Jorge)

O Véu da Fantasia
(J. G. de Araújo Jorge)

Desnuda-te apenas nos instantes cegos dos sentidos
quando todos nos transfiguramos,
(de nós mesmos, esquecidos…)

Meu Desejo quer-te velada novamente,
tão de pronto meus braços te soltem
tal como um tronco abatido
ao sabor da corrente…

Não te deixes assim, displicente, aos meus olhos
que banalizas tua beleza
e podes te igualar a encardidas visões…

Que desça o pano ao fim dos espetáculos
e que voltes aos bastidores
antes das novas apresentações…

Quero-te nua em meus braços, (mas deixa que te confesse:)
quero-te nua, com essa encantada nudez
que eu diria
vestida sempre com um véu
de fantasia…

Em Os mais belos poemas que o amor inspirou IV/ J. G. de Araújo Jorge,
4ª edição, Editora Rideel Ltda., São Paulo (SP), pág. 109.

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