Castigo (J. G. de Araújo Jorge)

Castigo
(J. G. de Araújo Jorge)

Amo-te no silêncio, contrafeito,
temendo a incontinência dos meus olhos,
pobre amor que se perde, inevitável,
consumido de apelos e renúncias.

Sei que és manhã ainda, no céu puro,
claridade que apenas prenuncia,
fruto de vez que a luz vai madurando
entre aragens e pássaros na altura.

Vejo-te, e me castigo a imaginar
o gesto de colher, que não encontro
para tanta beleza, — e desespero

e fecho os olhos para não te ver,
e tento em vão cegar o pensamento
se és, a um só tempo, luz que cega e atrai.

Em Os mais belos poemas que o amor inspirou IV/ J. G. de Araújo Jorge,
4ª edição, Editora Rideel Ltda., São Paulo (SP), pág. 68.

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